Artigo de Luzia Regina Silva de Oliveira
Professora titular da Rede Estadual da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, graduada em Letras e Pedagogia.
Endereço eletrônico: reginatpm@gmail.com
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O jornal na escola: uma lição de cidadania
A linguagem jornalística é caracterizada pela objetividade e capacidade de síntese. Informar com clareza às perguntas básicas - O quê? Quem? Onde?Quando? Como? Por quê? - nos ajuda a compreender um pouco do universo jornalístico, no entanto, não permite uma compreensão crítica do texto a ser lido. Levar o jornal à sala de aula e apresentá-lo aos alunos como recurso pedagógico significa permitir que o universo jornalístico seja explorado através de suas características peculiares, articulando informações e construindo o significado da mensagem que veicula, investigando a realidade, que é a matéria-prima do jornal. Qual é o objetivo maior do jornal e como abordar o trabalho com os gêneros apresentados no jornal?
Etimologicamente, “jornal” deriva do latim “diurnale” que significa “salário de um dia de trabalho”. Nesta reflexão, entendemos como um conjunto de fatos ocorridos em um período de um dia; também podemos observar o sentido etimológico da palavra “jornalista”, o analista do dia. Assim sendo, entendemos que o jornal, por sua agilidade e sintonia com a realidade imediata constitui um importante instrumento entre a escola e a realidade.
O objetivo maior do jornal é a comunicação e fazer entender esse objetivo é o maior desafio do educador. A utilização do jornal como recurso pedagógico é como apresentar um conto de fadas a um pré-escolar - logicamente que não se trata de um texto literário, no entanto trata-se de um processo de conhecimento, de degustação, de apreensão. As informações divulgadas nos jornais constituem o alimento desses “dias” e são organizadas em unidades, seções, cadernos. O trabalho com jornal pode ser iniciado nas primeiras séries do ensino fundamental, elegendo pequenas notícias, anúncios ou reportagens que possam ser investigadas pelos alunos.
A fase inicial desse trabalho – importantíssima – é permitir que o aluno pegue o jornal, manuseie, observe sua forma de organização e apresentação, reconheça a utilização da palavra escrita, números, legendas, mapas, imagens e signos. Uma boa oportunidade é apresentar a capa de um jornal e seus elementos constitutivos (nome do jornal, local de publicação, data, diretores, as manchetes, legendas, as chamadas, os textos em caixa, etc.) para que o aluno comece a processar criticamente essas informações. É claro que essa não é a única atividade a ser realizada com os alunos tampouco o objetivo maior desse trabalho. Sendo assim, esperamos que o educador proceda as intervenções que julgar necessárias para que seus alunos busquem conhecimento e compreensão da realidade de maneira abrangente.
É importante frisar que a notícia não deve ser trabalhada como sendo o único gênero apresentado no jornal, haja vista – artigo de opinião, entrevista, reportagem – com suas características próprias. “As notícias apresentam-se como unidades informativas completas, que contém todos os dados necessários para que o leitor compreenda a informação, sem a necessidade de recorrer a textos anteriores, [...] ou de ligá-la a outros textos contidos na mesma publicação ou em publicações similares [...], o artigo de opinião contém comentários, avaliações, expectativas sobre um tema da atualidade que por sua transcendência, merece ser objeto de debate; nessa categoria incluem-se os editoriais, os artigos de análise ou pesquisa e as colunas que levam o nome do autor [...], a reportagem que é uma variedade do texto jornalístico de trama conversacional que, para informar sobre determinado tema, recorre ao testemunho de uma figura chave para o conhecimento desse tópico [...], a entrevista da mesma forma que a reportagem, configura-se preferencialmente mediante uma trama conversacional, mas combina este tecido com fios argumentativos e descritivos [...]” (KAUFMAN, 1995, p.26-28).
A linguagem jornalística é amplamente objetiva, visto estar ligada a imparcialidade do autor. É uma linguagem ligada à norma-padrão da língua, distante de palavras com sentido conotativo. As diferenças entre as linguagens apresentadas pelo jornal x livro didático devem-se ao fato de apresentarem funções distintas em veículos distintos. O jornal apresenta assuntos interdisciplinares, participando aos leitores, um vasto conhecimento globalizado, diferente essencialmente do apresentado no livro didático.
“Na atividade de leitura ativamos o lugar social, vivências, relações com o outro, valores e conhecimentos textuais, o que nos permite interagir com maior ou menor intensidade” (KOCH, 2006, p.19) com o universo das palavras e idéias. O conhecimento prévio do aluno somado às diversidades apresentadas no jornal poderá servir como ponte entre o conhecimento do fato e a propositura da aprendizagem.
O trabalho com jornal em sala de aula é um exercício de investigação, indagação, análise, conclusão, de busca por alternativas, reflexão sobre dados históricos, científicos e atualidades. O aluno estará aprendendo na prática a cidadania, às vezes, tão incompreendida na escola.
REFERÊNCIAS:
KAUFMAN, Ana Maria e RODRÍGUEZ, María Elena. Escola, leitura e produção de textos. Trad. Inajara Rodrigues. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
KOCH, Ingedore Villaça e ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender os sentidos do texto. São Paulo, Contexto, 2006.
Programa Folha Educação.
http://pt.wiktionary.org/wiki/jornal. Acessado em 05/09/09.