sábado, 29 de agosto de 2009

UM POUCO DE FERNANDO PESSOA

                    


TODAS AS CARTAS DE AMOR ...


                                                                                              
Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.



Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.



As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.



Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas.



Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.



A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.



(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas.)








ÁLVARO DE CAMPOS (21/10/1935)

Uma visão breve sobre a vida e a obra do maior poeta da língua portuguesa: 1888: Nasce Fernando Antônio Nogueira Pessoa, em Lisboa. - 1893: Perde o pai. - 1895: A mãe casa-se com o comandante João Miguel Rosa. Partem para Durban, África do Sul. - 1904: Recebe o Premio Queen Memorial Victoria, pelo ensaio apresentado no exame de admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança. - 1905: Regressa sozinho a Lisboa. - 1912: Estréia na Revista Águia. - 1915: Funda, com alguns amigos, a revista Orpheu. - 1918/21: Publicação dos English Poems. - 1925: Morre a mãe do poeta. - 1934: Publica Mensagem. - 1935: Morre de complicações hepáticas em Lisboa.





Os versos acima, escritos com o heterônimo de Álvaro de Campos, foram extraídos do livro "Fernando Pessoa - Obra Poética", Cia. José Aguilar Editora - Rio de Janeiro, 1972, pág. 399.


(Fonte: http://www.releituras.com.br/)

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